Sancho, como é conhecido pelos amigos, nasceu em 1943 em Uruguaiana-RS. Filho de mãe fotógrafa e pai proprietário de oficina mecânica, cresceu entre máquinas, ferramentas, imagens e processos de criação. Aos 15 anos de idade veio para Curitiba, acompanhando a família. Jovem e com conhecimentos de desenho técnico, se tornou logo estagiário da Construtora De Mari, onde obteve o primeiro contato com projetos que o atraíram para a arquitetura. Em 1962 ingressou na primeira turma do recém-criado curso de Arquitetura da UFPR. Atribui à disciplina com o professor Leo Grossman, no terceiro ano, o início de sua “paixão” pelo curso - período que coincidiu com uma intensa participação e premiação em concursos nacionais e internacionais, através do estágio no escritório de Luiz Forte Netto e das participações com seus colegas de curso. Recém-formado, em 1967, se associou com o arquiteto e amigo Roberto Luiz Gandolfi, por ocasião do primeiro lugar no concurso nacional para a sede da Petrobrás. Em 1970 estabeleceu sociedade com Alfred Willer e Oscar Gomm Mueller, formando o escritório WSM, resultando na equipe vencedora de uma série de concursos de relevância nacional. Em 1987 constituiu seu escritório individual: Sanchotene Arquitetura S.A., atuando em projetos de escopos variados. Conciliou, durante toda a sua carreira, atividade docente (1967-1992) e prática profissional em escritório de arquitetura, tendo chefiado a Divisão de Projetos da COHAB-CT (1968), atuado como arquiteto consultor do IPPUC (1982-1995) e escrito a tese de cátedra “A Forma num Processo de Criação em Arquitetura” (1992). Seu interesse por arte, natureza e técnica ultrapassou o campo da arquitetura e se afirmou como um verdadeiro modo de vida: velejador experiente, também pilotou aviões e planadores. No início dos anos 2000, projetou integralmente - do desenho do casco à concepção do motor a vapor - o barco Kira (uma homenagem à sua esposa, Walkiria). De personalidade forte e humor irreverente, sua vivacidade criativa como arquiteto e professor o torna personagem de referência obrigatória na arquitetura paranaense.
Texto por Thais Saboia e Alexandre Ruiz – 2026